SOUZA, M. A guerra na Grécia Antiga. São Paulo: Ática, 1988

Aluno: Adelir de Farias Batista

Resenha:
A presença da violência na Grécia Antiga “A guerra” era vista com naturalidade, pois através da guerra se apossava das riquezas de seus inimigos e na maioria das vezes tornava-os escravos , e para que pudessem ter o controle sobe eles na maior parte das vezes, era necessário usar a violência, isto era encarado como uma prática comum até mesmo por filósofos como sócrates que, em um dialogo com o seu discípulo: Aristipo mostrado pelo autor do livro. Isso não quer dizer que os gregos gostavam da guerra, mas a aceitavam por ser inevitável.

A religião estava presente por ser indispensável a sua relação com a guerra, pois os homens precisavam acreditar em forças sobrenaturais, buscando a proteção de deuses para se lançarem em ações arriscadas. Antes de partir para as batalhas, os gregos costumavam consultar Oráculos (adivinhos, observadores de sinais divinos) em vezes se davam bem e em outras se davam mal, como no trecho citado no texto em que “Depois de fracassar completamente a tentativa de tomar a cidade de Siracusa (em 413), as tropas atenienses, já preparadas para fugir, assistem a um eclipse da lua, que estava cheia na ocasião, assustados, resolvem esperar três vezes três dias(o que lhes foi fatal)” (p.15).

Um sistema de luta causou grande repercussão social na Grécia, este foi o sistema hoplítica que trocou o sistema de luta corpo-a-corpo pelo agrupamento, este tipo de luta consistia em lutar em grupo, fazendo linhas de frente com lanças de 3 a 5 metros de comprimento e escudos côncavos, desta maneira avançava-se contra o inimigo com a lança reta em sua direção não dando chance para a aproximação. Este sistema de luta diminuiu as distinções sociais, pois a união nas batalhas era indispensável para se conseguir a vitória.

Esparta, o mito da sociedade guerreira sem dúvida foi a mais atente para os valores da Guerra, o menino espartano era tirado de sua mãe aos sete anos de idade e ficava sob a responsabilidade de um adulto escolhido pela comunidade, para educa-lo da forma mais autoritária e rígida afim de torna-lo um grande guerreiro. Aos 20 anos no termino de seu tempo de instrução ele deveria estar pronto para encarar uma batalha sem medos, entre 20 e 30 anos um espartano poderia se casar mas deveria continuar morando ainda com seus colegas e somente visitar a esposa. Aos 60 anos ele teria comprido seu papel de guerreiro, mas poderia continuar instruindo os garotos, essa preparação tornava os espartanos muito fortes nas guerras. O exército espartano era uma máquina de guerra com rígida preparação psicológica, física, e militar, e acreditavam que morrendo em batalha alcançariam a imortalidade.

O império persa era forjado de guerras, apartir de 521 governado por Dario era um imenso território dividido em 23 satrapias, as mais importantes eram as da Babilônia e do Egito. Em 492 o rei Dario organiza uma expedição punitiva contra Atenas e Eretria, mais sua tentativa é fracassada. Dez anos mais tarde seu filho Xerxes sucessor do trono inconformado com a resistência grega, organiza um poderoso exército para invadir novamente a Grécia com um número muito superior de soldados os persas dão como certa a vitória. Uma das batalhas dessa guerra foi muito conhecida, pela bravura do rei espartano Leônidas e seus 300 homens que resistiram os persas por dias e poderiam ter resistido mais se um traidor não tivesse guiado os persas pelo caminho das montanhas.

A guerra do Peloponeso foi um golpe fatal para o declínio das cidades da Grécia, de um lado Esparta e seus aliados, de outro Atenas também com seus aliados, esta guerra durou mais ou menos sem contar tréguas pouco respeitadas 27 anos e levou as cidades gregas a uma crise que resultou a derrota frente a Macedônia governada pelo rei Felipe que mais tarde morreria assassinado e seu filho Alexandre “o Grande” como é conhecido passa a governar e em apenas 11 anos consegue o que os gregos nem pensavam em fazer que era lutar no campo da Pérsia. Alexandre derrotou o rei Dario devido ao sistema de luta conhecia como a falange macedônica e iniciou uma enorme conquista de territórios desconhecidos que entraram para a história.

A guerra na Grécia Antiga era a maneira de um guerreiro alcançar a glória, fazer seu nome e seus feitos atravessarem os séculos, morrer em um campo de batalha com honra lutando até o ultimo suspiro sem se render ao inimigo, sem dúvida era a morte mais gloriosa que se poderia alcançar.


Trecho selecionado: A “revolução hoplítica” e a conquista da cidadania

Efetivamente os primeiros governos instituídos entre os helenos após o fim da realeza eram compostos de soldados (hoplítes); em sua origem tais governos provinham da cavalaria, na qual residia a força e a superioridade na guerra, pois sem uma formação regular a infantaria pesadamente armada é inútil, e como a arte e a tática militares não existiam nos tempos mais recuados, a força estava com a cavalaria; à proporção que as cidades cresciam e os hoplitas passaram a ser mais fortes, mais pessoas participaram do governo. (Aristóteles)

A idéia de uma ruptura, de uma “revolução hoplítica”, surge a partir dos estudos da arqueóloga inglesa H. L. Lorimer, no final da década de 1940. Confrontando documentos arqueólogos e fontes literárias, ela conclui que todo o novo armamento_ capacete, couraça, escudo, grevas_ teria sido adotado em todas as regiões do mundo grego simultaneamente, em condições análogas.

Novos achados arqueológicos, entretanto, permitiram a autores como A. Snoodgrass recolocarem o problema da falange hoplítica em outros termos. De fato, sabe-se hoje que todos os elementos da armadura do hoplita, quase todo o seu equipamento defensivo_ com a exceção do duplo cabo do escudo redondo_ , eram conhecidos pelos gregos há muito tempo, desde a época micênica e geométrica. O duplo cabo do hoplon (escudo redondo_ donde deriva o nome hoplita) é apenas um detalhe, um aperfeiçoamento tecnológico, produzido, na verdade, por uma transformação social e metal.

O aparecimento dos soldados de infantaria pesadamente armados a lutarem de forma coesa, em grupo e não ais individualmente como nos Tempos Homéricos, teria sido, segundo alguns, o principal fator a explicar a ampliação da participação política. Isto é, se a segurança da comunidade deixava de repousar exclusivamente nas mãos de uma minoria de aristocratas, conseqüentemente, o monopólio político dos nobres também era ameaçado por uma participação crescente nos assuntos da cidade por parte dos que lutavam como hoplitas.

A questão não é tão simples assim. Afinal, embora seja fácil perceber as repercussões políticas e sociais da nova forma de luta, cabe perguntar o porquê da mudança. Caso contrário, estaremos atribuindo a uma inovação militar a responsabilidade por transformações bem mais profundas, ao invés de vê-la como o resultado de um processo histórico mais amplo e complexo.

Infelizmente, o aparecimento da falange hoplítica não pode ser datado com muita precisão. Já na Ilíada (II,542 e XIII, 339), há duas passagens em que o poeta faz referência à utilização da lança à maneira dos hoplitas, ou seja, investindo-a contra o adversário ao invés de arremessá-la a distância como faziam os heróis; provavelmente, todavia, são interpolações posteriores ao texto original.

As provas são exclusivamente arqueológicas: uma couraça de bronze descoberta em Argos (Peloponeso) e um vaso eubóico representando uma mistura de hoplitas e pré-hoplitas nos permitem datar o início do processo no último quartel do século VIII. Por volta de 650, graças a um vaso protocoríntio (chamado de “vaso Chigi”, podemos Ter certeza de que a nova forma de combater já estava plenamente desenvolvida. Corinto, Esparta e Argos rapidamente adotaram a nova formação, que não demorou a espalhar-se por toda a Grécia.

Tendo a transformação ocorrido entre 700 e 650, é preciso situá-la no contexto histórico da Grécia arcaica. Em primeiro lugar, o aparecimento da falange hoplítica deve ser relacionado ao aparecimento da pólis, isto é, ao fortalecimento da comunidade e á defesa de suas fronteiras. A crise agrária também mantém relações estreitas com o surgimento da falange hoplítica: ela é causada, em parte, por um processo de crescimento demográfico que, aliado à concentração das terras nas mãos de uma minoria e aos graves limites tecnológicos da agricultura de então, leva a um processo de fundação de novas póleis. O chamado movimento de “colonização” atua como uma válvula de escape das tensões sociais. Sem dúvida, a utilização da falange hoplítica deve ter facilitado a ocupação de áreas coloniais onde a resistência foi maior. Ao mesmo tempo, o comércio com estas regiões fornecia o metal necessário à fabricação do armamento. O contato com outro povos pode ter sido importante: Talvez o capacete e o escudo do hoplita tenham origem assíria, possivelmente por intermédio dos cários. A inovação radical, todavia, deve-se aos próprios gregos.

O desenvolvimento da agricultura_ em detrimento da pecuária, que consistia na principal atividade econômica do período anterior_ também é uma precondição para a mudança, já que o exército passa a ser basicamente composto de campesinato médio (lembremos que os hoplitas tinham de armar-se às suas próprias custas) e porque o principal objetivo da falange hoplítica, que exigia lugares planos como campo de batalha, é exatamente a destruição dos campos cultivados da cidade inimiga.

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